terça-feira, 22 de abril de 2014

E os tais "terríveis dois" estão aqui..

Olá!

Hoje vim falar de um assunto que assombra as "mães modernas"... o chamado "terríveis dois anos de idade" ou terrible two termo originalmente em inglês.

Essa fase que começa em torno dos 18 meses da criança e tende a ir até os 3 anos de idade caracterizada por birras e o categórico (não negociável) "não" a qualquer coisa que você pergunte.

Com o o David começou lá por 1 ano e meio de idade com os tais "nãos" para tudo o que perguntávamos: quer tomar água? Não. Quer comer? Não. Quer sair? Qué (isso ele nunca negou). Mas bastava deixar a garrafinha de água "de bobeira" perto dele, o prato de comida ou começarmos a comer que lá ía ele tomar um gole ou abrir a boca para a primeira colherada.


Hoje, com 1 ano e 11 meses temos "picos de audiência" dessa fase com o David. Com direito a tudo: birras, gritos, choramingos que não permitem que entendamos nada do que ele está tentando dizer, tapas, mordidas, empurrões, corpo arqueado para trás e claro, muito "não".

Preciso confessar que muitas vezes concordo com o título do post "Terrible two?! Corram para as colinas, fujam para as montanhas!" do blog Cientista que virou Mãe. Quer um exemplo? Farei em forma de diálogo para você entender melhor (e rir de mais um dos micos que as mães passam):

A cena:
Semana passada fui ao mercado. Estava olhando os ingredientes de um produto quando o David se esticou e alcançou um carrinho na gôndola. 

Dani: 
-- Filho esse brinquedo não é seu, não pode pegar. Vamos devolver?

David:
-- Não.

Dani:
-- Eu trouxe o seu carrinho, olha! Vamos trocar?

David:
-- Não.

Dani:
-- Com o seu você pode brincar o quanto quiser daqui até em casa.

David:
-- Não, mommy! Qué esse.

Dani:
-- Então tá, vamos combinar que você vai ficar com o carrinho somente enquanto estivermos no mercado, só um pouquinho, depois nós vamos para casa e o carrinho não, está bem?

David:
Não respondeu, não olhou mais para mim, não quis saber de papo. Só entretido com o tal carrinho.

Não houve diálogo daqui para frente então não há outra forma de contar senão narrando:

Chegamos ao caixa, pedi a ele que colocasse o carrinho de volta na gôndola. Nada. Pedi que desse para mim. Não com a cabeça. A atendente do caixa já tinha passado todas as outras compras enquanto "a conversa" acontecia entre o David e eu e nenhum sinal de progresso. Numa atitude de desespero da minha parte, tentei trocar os carrinhos e deixar o do mercado no mercado. Resultado? Quem passava perto tínha a nítida impressão que eu havia arrancado o fígado do meu filho de tanto que ele chorava, gritava e se contorcia. Exausta, triste e profundamente chateada por não ter conseguido contornar a situação, meu filho enlouquecido, umas 15 sacolas de mercado, a mochila dele nas minhas costas e um carrinho novo voltamos para casa.
Mas como lidar com essas situações e comportamentos? Existe vida após o terrible two?

Dizem os estudiosos e pais de crianças mais velhas que sim. Segundo o psicólogo Paulo José Costa essa mudança de atitude acontece porque:
É a fase do egocentrismo infantil, em que a criança considera que tudo existe por ela e para ela, chamando continuamente a atenção dos outros sobre si própria. Não aceita as críticas e tem dificuldade em respeitar regras, o que muitas vezes resulta em birras e choro fácil. As birras não têm obrigatoriamente que ser momentos terríveis, podem mesmo converter-se em momentos únicos de educação, se os pais souberem lidar com elas, compreendendo o que existe por detrás. Embora seja difícil fazer uma criança desta idade entender o motivo de uma recusa, é bom transmitir-lhe o porquê das coisas, não dando apenas uma ordem ou dizendo “não”.
E como lidar? Em outro trecho do seu estudo ele continua: 
A tarefa dos pais é ensinar à criança outras formas de expressar as suas necessidades e a aceitar o facto de que nem sempre lhe fazem a vontade. Como tal, torna-se imperioso e necessário que os pais não tenham receio de dizer não, explicando a razão de o fazerem. Cabe-lhes ensinar aos filhos que as birras não os farão mudar a sua opinião, bem como que o seu amor pelo filho não se alterará. Se mesmo assim não resultar, procure distraí-lo ou não lhe dê atenção por alguns minutos. Muitas birras terminam quando deixam de lhes dar atenção.
 Logo que a criança consiga controlar-se, felicite-a por ter optado pelo bom comportamento, e procure falar com ela sobre alternativas de se expressar, em vez de usar birras. Os pais têm que ser firmes e fazerem respeitar as suas regras. As crianças assim aprendem que tudo tem limites, e aprendem a viver em sociedade, assumindo desde cedo a noção de respeito pelos outros e de consideração pela sua posição.

 A aplicação de forma prática em nossa vida é assim, segundo o psicólogo:
Para que todo este processo seja simplificado, é fundamental que as regras sejam claras e consistentes e que se adaptem às capacidades e necessidades de cada criança. É também importante que ambos os pais estejam de acordo com as regras estabelecidas e que façam avaliações e revisões regulares dessas mesmas regras e expectativas, uma vez que, à medida que a criança cresce, será necessário ajustar algumas delas.
Resumindo: muito amor, conversa, atenção, disciplina e limite.

E claro, doses intermináveis de paciência, sempre em mente o bom e velho mantra: "é só uma fase, vai passar."

Bom, por hoje é isso!

Abração,

Dani

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